Tolerância zero para o bullying
01
março
2016

Há oito anos, Escola Educativa desenvolve projeto com alunos para evitar casos de bullying; desde então, nunca mais registrou casos.

 

“Não faça com os outros o que você não quer que façam com você. O que vai sempre volta. Todos nós temos defeitos, ninguém é perfeito. E agora eu vou te falar: bullying é coisa séria, não é de brincar.” O trecho foi retirado de uma paródia realizada por alunos do 8º ano da Escola Educativa como parte do projeto “Bullying – Tolerância Zero”. Existente há oito anos na instituição, a cada ano, o projeto desenvolve diferentes ações com os alunos, apresentando as várias facetas do bullying e, o mais importante, como evitá-lo. O projeto, portanto, é desenvolvido com todos os alunos de todas as séries, de maneira que eles busquem ferramentas que permitam resolver conflitos de forma ética e moral, tendo como base o respeito.
O pioneirismo da Escola Educativa agora terá de ser seguido por todas as escolas do País, que, obrigatoriamente, precisam ter iniciativas de combate ao bullying. Entrou em vigor, no último dia 9 de fevereiro, a lei nº 13.185 que instituiu o Programa de Combate à Intimidação Sistemática. Ou seja, a lei, determina o que é bullying e prevê sanções a quem comete. De acordo com o texto do governo federal, “será considerada intimidação sistemática (bullying) todo ato de violência física ou psicológica, intencional e repetitivo que ocorre sem motivação evidente, praticado por indivíduo ou grupo, contra uma ou mais pessoas, com o objetivo de intimidá-la ou agredi-la, causando dor e angústia à vítima, em uma relação de desequilíbrio de poder entre as partes envolvidas.”
Dentre as definições de bullying, o texto classifica, conforme as ações praticadas, como verbal (insultar, xingar e apelidar pejorativamente), moral (difamar, caluniar, disseminar rumores); sexual (assediar, induzir e/ou abusar), social (ignorar, isolar e excluir); psicológica (perseguir, amedrontar, aterrorizar, intimidar, dominar, manipular, chantagear e infernizar), físico (socar, chutar, bater); material (furtar, roubar, destruir pertences de outrem), virtual (depreciar, enviar mensagens intrusivas da intimidade, enviar ou adulterar fotos e dados pessoais que resultem em sofrimento ou com o intuito de criar meios de constrangimento psicológico e social).
Para tanto, docentes e equipes pedagógicas deverão ser capacitados para implementar ações de prevenção e solução do problema. Além disso, pais e familiares serão orientados para identificar vítimas e agressores. Outro ponto presente no documento é a realização de campanhas educativas e o fornecimento de assistência psicológica, social e jurídica às vítimas e aos agressores. “A cada ano temos uma proposta diferente tendo como objetivo o combate ao bullying dentro e fora da escola. Os professores passam por uma preparação realizada pela equipe pedagógica que vai traçar estratégias para o longo do ano diariamente”, explica a orientadora educacional da Escola Educativa, Liz Cândia.
Segundo ela, toda a equipe é treinada para identificar casos de bullying ainda no início e, assim, evitar que se agravem. “Ficamos muito atentos aos alunos novos que estão chegando, se estão conseguindo se integrar e ao comportamento dos alunos em geral que podem vir a desencadear ações de bullying. Motivamos que os próprios alunos mais antigos sejam facilitadores dessa integração e socialização.” Ao mesmo tempo, rotineiramente, dentro das disciplinas, os professores trabalham com as questões da boa convivência e respeito às diversidades. “Temos muitos alunos inclusivos e essa relação é extremamente harmoniosa. Nunca tivemos casos graves, mas desde o início do projeto, não tivemos sequer indício de bullying na escola.”
O ano começa com uma grande atividade voltada ao combate ao bullying, desenvolvida pelo professor de Educação Física, Douglas Santos. Ele conta que cada série teve uma abordagem diferente de acordo com a faixa etária. “Para as crianças até o quinto ano foram ações mais expositivas. Já com os do sexto ao nono ano, ações que os levaram a uma reflexão.” Os alunos do sexto ano, por exemplo, escreveram uma carta fictícia se colocando na figura da vítima de bullying falando para seu agressor. “Eles expuseram muitos sentimentos.” Depois, as cartas foram enviadas a outros alunos, que puderam ler o relato de sua “vítima”. “Mesmo não sendo uma história real, muitos choraram ao ler o que a vítima sentiu. Eles estiveram dos dois lados da história e ficaram impactados”, pontua.
Os alunos do sétimo ano, por sua vez, tiveram que desenvolver uma paródia com a temática de forma a identificar os vários tipos de bullying. “Escolheram uma música que gostavam e tiveram de criar uma letra. Além de desenvolverem um trabalho em equipe, tiveram de despertar a criatividade. No dia da apresentação, vão gravar um vídeo para que possa chegar a mais pessoas. É o que chamamos de aprendizagem significativa.” Nas paródias, abordaram vários assuntos como um rock em que “valentões” se consideram superiores e um rap em que a vítima fala de seu sofrimento. Nas outras séries foram criados cartazes de campanhas de combate ao bullying e vídeos com mensagens de alerta.

Marian Trigueiros
Reportagem Local
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Alunos do oitavo ano encenaram paródia que desenvolveram sobre o tema; nela eles identificam os vários tipos de bullying.

Fonte: http://www.folhaweb.com.br/?id_folha=2-1–48-20160301

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